quinta-feira, 30 de junho de 2011

Uso Profissional do Facebook: é possível?

Depois que publiquei o meu post Devemos limitar o nosso número de conexões em redes sociais? recebi alguns retornos de leitores que me relataram utilizar a seguinte estratégia online: (1) concentrar os contatos profissionais em uma rede de cunho mais profissional (o Linkedin, neste caso, foi o mais citado, mas algumas pessoas mencionaram também o Plaxo) e (2) colocar os contatos pessoais em uma rede menos formal (e aqui o Facebook foi a grande escolha). Houve quem me perguntasse se eu achava que essa era uma boa estratégia e a resposta é indubitavelmente sim - partindo do princípio que toda estratégia online que funciona para você é uma boa estratégia. No entanto, existem aqui alguns pontos, ao meu ver, que devem ser levados em consideração. Fazendo o costumeiro reparo que tudo que eu escrevo neste Blog é fruto de minha percepção pessoal, vamos a eles:
 
1. A divisão entre redes sociais profissionais e pessoais tem se apagado consideravelmente nos últimos tempos. Contatos pessoais e profissionais têm se misturado com muita frequência - não respeitando delimitações de redes. Da mesma maneira que os teus contatos profissionais te alcançam no celular fora do horário e ambiente de trabalho, os seus contatos profissionais vão te encontrar em outros ambientes virtuais que não os profissionais - e cada vez mais. 

2. Muitas pessoas consideram o Linkedin “muito complicado” e preferem uma rede mais simples e intuitiva - como o Facebook, por exemplo. Se você quiser o contato (online) das pessoas você terá de ir aonde elas estiverem. De forma semelhante, as pessoas que se interessarem pelo seu contato online irão atrás de você – aonde você estiver. 

3. As redes sociais passam também, elas mesmas, por ciclos. Pode muito bem ser que, em dois ou três anos, o Linkedin esteja como o Orkut está hoje. Nem o Linkedin de hoje é tão formal quanto costumava ser - e nem o Facebook (FB para os íntimos) é mais tão inocente como quando estreou no Brasil.

4. O potencial de adaptabilidade do Facebook é extraordinário, graças à sua gigantesca base de usuários e aos (muitos) aplicativos que ele abriga. Eu, pessoalmente, não acho impossível que o FB se torne um dos principais focos de networking profissional e canal de negócios a nível mundial em um prazo muito, muito curto. Dois exemplos bem rápidos de como isso pode ser possível:
 
- O BranchOut é um aplicativo que se propõe a criar uma rede profissional privada dentro do próprio Facebook - e que tem sido chamado de “o Linkedin do Facebook”. Existem muitas outras Ferramentas de recrutamento e networking via Facebook, mas o BranchOut é a que tem recebido maior destaque nos últimos tempos.
- A LikeStore é um serviço nacional lançado recentemente que permite montar lojas no Facebook. O pagamento pode ser feito por meio de cartão de crédito ou transferência bancária sem sair do ambiente do Facebook. Esta funcionalidade (existem outras empresas que se propõe a explorar este aspecto de e-commerce a partir do FB) transforma cada uma dos milhões de fan pages da maior rede social do mundo em um ponto de venda que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana.   

Voltando à pergunta-título deste post, a resposta é sim: não só é possível utilizar o Facebook  como Ferramenta Profissional (e de Negócios) como isso tende a se tornar mais e mais comum em um futuro bem próximo. 

Este é nosso recado de hoje e, se você gostou, se foi útil para você, visite a nossa página no Facebook (clicando aqui neste link) e dê um curtir (pode ser solicitado que você se logue no Facebook). E, já que você está dentro do Facebook, aproveite e compartilhe este post no seu mural e com os seus contatos no FB - porquê não? Lembre-se: informação é para ser compartilhada! Forte Abraço!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Devemos limitar o nosso número de conexões em redes sociais?

"Eu quero ter um milhão de amigos / E bem mais forte poder cantar" 

(Roberto & Erasmo)

"Eu nunca participaria de um clube que me aceitasse como sócio"

(Groucho Marx)

DISCLAIMER: Antes de iniciar este post, quero deixar bem claro que, em primeira e última análise, cada um deverá decidir por si a melhor estratégia de redes sociais aplicável dentro de seu contexto, de seus objetivos profissionais, pessoais, etc. - o que não me impede, é claro, de dar aqui a minha opinião a respeito.

Entreouvi por esses dias no elevador uma animada conversa na qual um dos interlocutores comentava que estava tentando "reduzir" o seu número de amigos no Facebook, mas que, por mais que ela "limasse" pessoas de seu perfil, mais e mais solicitações de amizade continuavam chegando - para seu grande espanto e surpresa. "De onde vêm estas pessoas?" - perguntava (aparentemente com sinceridade). Eu fiquei absolutamente maravilhado com aquele comentário, por ser um claro indicativo do mais profundo desconhecimento do princípio fundamental pelo qual as redes sociais - pelo menos as redes sociais de massa - operam. Para garantir que você, leitor, não perca este princípio fundamental, eu vou colocar em destaque, centralizado e em cor de fonte diferente - e o princípio é este:

Redes sociais de massa 
querem expandir
e para conseguirem isto elas
(e isso é válido para Facebook, Linkedin, Orkut, Twitter, etc.) 
recompensam quem possui mais conexões.

A recompensa, aqui, é dada, principalmente, na moeda de troca corrente do mundo online, que se chama visibilidade. Geralmente, nas principais redes, quanto mais conexões você possui mais visível você é - e, quanto mais visível você for, mais conexões você poderá fazer, ou seja, maior será a sua conectabilidade

E porquê isso é importante?  

Vamos dar um exemplo simples com base na rede profissional Linkedin. Dependendo da sua área de atuação (se for muito restrita, por exemplo) talvez só existam 100 conexões interessantes em todo o Linkedin para você - ou seja, 100 pessoas que valham a pena você se conectar por lá. A questão é: você não vai conseguir se conectar com estas 100 pessoas a menos que você possua uma base de conexões que lhe aproxime destas 100 pessoas. 

No Linkedin, especialmente, isto é muito fácil de entender, porquê as conexões são divididas muito claramente em: (1) conexões de primeiro grau, (2) conexões de segundo grau e (3) conexões de terceiro grau. 

Conexões de primeiro grau são pessoas que aceitaram o seu convite de conexão - ou você aceitou o delas - e são identificadas por uma bolinha azul com "1º" escrito dentro. Você pode enviar mensagens diretas para estas pessoas e "ver" a movimentação delas pelo Linkedin no seu feed. 

Conexões de segundo grau são conexões de primeiro grau das suas conexões de primeiro grau (se fosse no Facebook, por exemplo, seriam os Amigos dos Amigos). Conexões de segundo grau são identificadas no Linkedin por uma bolinha azul com "2º" escrito dentro.

Conexões de terceiro grau são conexões de segundo grau de suas conexões de primeiro grau (esticando um pouco a nossa analogia com o Facebook, seriam os Amigos dos Amigos dos Amigos). Conexões de terceiro grau são identificadas no Linkedin por uma bolinha azul com "3º" escrito dentro. 

No Linkedin, a sua rede é formada pelas suas Conexões de primeiro grau + Conexões de segundo grau + Conexões de terceiro grau + Os membros dos grupos que você faz parte. Resumindo, a sua rede no Linkedin é tudo que está "pra cá" da linha vermelha na figura abaixo - na direção apontada pela seta azul. As bolinhas pretas vistas além da linha vermelha representam as pessoas fora da sua rede.


No Linkedin, você só pode contactar as suas conexões de segundo e terceiro grau por InMail (limitados/pagos) ou Apresentações. As pessoas fora da sua rede só podem ser contactadas por InMail. O princípio fundamental aqui é que, quanto mais longe de você estiver a pessoa, mais difícil deverá ser contactá-la (e também visualizá-la).

Voltemos ao nosso exemplo lá de cima: imagine que existam 100 conexões significativas para você no Linkedin - pessoas de destaque na sua área de atuação, por exemplo, ou pessoas que poderiam lhe indicar para um emprego, contrato, consultoria, etc. Você só vai conseguir se conectar com estas pessoas se você tiver uma base de conexões que te aproxime destas 100 pessoas - ou isto ou você gastará uma pequena fortuna em InMails, que é uma das formas como o Linkedin gera receita. Isto cria um paradoxo, que poderia ser enunciado desta forma: "a qualidade das suas conexões é, no fundo, o que conta, mas ela não pode ser obtida sem uma base de conexões que te permita chegar a conexões de qualidade - isto é, que sejam representativas para você". Existe um antigo ditado no Linkedin que resume bem este paradoxo e que é o seguinte: 

"Quantidade é qualidade"

Evidentemente, este ditado não faz nenhum sentido sem alguma explicação prévia (senão alguém poderia erradamente concluir que sair adicionando pessoas indisciminadamente traduz algum resultado), mas é uma boa maneira de sintetizar a forma como trabalham as redes sociais de massa.

E nas outras redes?

Bom, falamos muito de Linkedin, Linkedin, Linkedin - e alguém poderia perguntar aqui como isso se aplica às outras redes sociais. Isso é muito simples: eu escolhi o Linkedin como exemplo porquê nele você vê muito claramente os graus de conexão entre as pessoas pelas bolinhas azuis que aparecem ao lado dos integrantes de sua rede, e que indicam o seu grau de aproximação/separação destas. Nas outras redes, em geral, é a mesma coisa, só que sem as bolinhas azuis.

É claro que cada rede social possui a sua própria particularidade, mas o simples fato de ser uma rede - prestem bem atenção nessa palavra, rede - significa que - salvo um desvio muito grande - ela é estruturada de uma forma bem parecida com o que descrevemos aqui. Pense comigo: todo mundo que eventualmente criou uma rede social neste mundo muito provavelmente quer que ela se expanda, correto? E a melhor maneira de fazer isso é recompensando comportamentos que façam a rede aumentar (ver Linkedin, ver Facebook, etc.) - e, na contra-partida, punindo comportamentos que prejudiquem a expansão da sua rede. Isto já diz tudo (ou, pelo menos, uma boa parte).

Voltando à pergunta-título deste post - e essa é a minha opinião - será sempre um direito nosso limitar o número de conexões em redes sociais (eu mesmo também não adiciono todo mundo), mas devemos ter a consciência de que a estruturação em rede, por si só, em geral, propicia a expansão da rede em si - justamente porquê ela foi projetada desta forma. 

Por fim, convém lembrar que - ao contrário do que alguns acreditam - as redes sociais não estiveram "sempre por aí", mas foram projetadas por pessoas com objetivos específicos. Entender alguma coisa da maneira como estas ferramentas foram construídas pode de fato nos ajudar a interagir melhor com elas e a tirar maior proveito de todos os recursos que elas nos oferecem. 

Por hoje é só, vejo vocês  no Linkedin e no Facebook.

domingo, 19 de junho de 2011

Saiba identificar um webdesconfiado

Eu criei o termo "webdesconfiado" para caracterizar um conjunto de comportamentos relacionados ao uso de ferramentas web - redes sociais, chats, etc. - que traduzem uma resistência ou desconfiança à interatividade fornecida por estas ferramentas. Eu coloquei aqui cinco indícios de que um contato online possa ser um webdesconfiado - a presença de dois ou mais deste indícios, pelo menos na minha experiência pessoal, está associada a uma forte suspeita de "webdesconfiadismo". São eles:

1. Usar algo diferente da sua própria foto no perfil pessoal. Em muitas redes, o Linkedin inclusive,  é proibido o uso de qualquer coisa diferente de sua própria foto na configuração de perfil - e, se não acredita em mim, leia o Contrato de Usuário, presente no rodapé de qualquer página do Linkedin. Além de ser muito desagradável falar com uma imagem do Pato Donald ou um logotipo de empresa, perfis pessoais deveriam - como o nome diz - representar pessoas, capiche? Por outro lado, não colocar foto no perfil é algo muito menos grave: significa apenas que a pessoa, em algum momento, decidiu não colocar uma foto no seu perfil, ou não teve tempo/habilidade de fazê-lo, ou não encontrou uma foto no seu arquivo que tenha considerado "boa" o suficiente, etc. - em suma, as razões podem ser várias. Colocar a imagem do Pato Donald no perfil, por outro lado, denota quase sempre uma indecisão entre se mostrar ou não se mostrar na rede, além de retirar - convenhamos - um pouco da seridedade de qualquer relação estabelecida ali. (Num aspecto prático, isto pode significar, por exemplo, que aquela pessoa não percebe a web como algo "sério" - e que será muito difícil para ela iniciar uma relação pessoal/profissional/comercial bem-sucedida por ali)

2. Usar algo (muito) diferente do nome real no perfil. Nos tempos selvagens da Internet (anos 90) as pessoas se identificavam na web por "nicks", que funcionavam como "nomes de rede". Na prática, era como se a pessoa tivesse uma identidade no mundo real e outra no mundo virtual, administradas independentemente. À medida que os mundos real e virtual aumentaram as suas pontes de contato, não faz muito mais sentido administrar duas identidades separadas, e a tendência que se observa hoje é de as pessoas usarem algo bem próximo de seus nomes reais nos seus perfis. IMPORTANTE: Isto não significa - de forma alguma - que você não vai tomar precauções para proteger as suas informações online, mas você deve entender que é tão ou mais fácil te encontrar na web pelo seu endereço de e-mail do que pelo seu nome, para citar apenas um exemplo bem simples.

3. Ficar subitamente offline quando você dá um "Boa Tarde" no chat. Se a pessoa não gosta ou não quer papear pelo chat ela pode: (1) não te aceitar como contato, (2) fechar o chat ao entrar em uma rede, (3) ficar invisível e/ou (3) usar o mágico botãozinho de "Ocupado".  A inabilidade de utilizar o botãozinho de "Ocupado" - se recorrente - é um indício forte de "webdesconfiadismo".

4. Não ter controle de seus contatos online. Por mais contatos que você tenha, você tem que ter algum controle de onde você os conhece - mesmo que este contato tenha sido puramente online. Eu tenho mais de 1600 contatos só no Linkedin e, mesmo sem usar o Organizador de Perfis que o Linkedin oferece na versão paga, consigo manter um registro pelo menos dos mais ativos - na dúvida, basta fazer um rápida busca no Linkedin mesmo e voilá: memória instantânea. Perguntas do tipo "De onde eu conheço você?" ou "O que você quer de mim?" indicam, quase sempre, uma falta de controle neste sentido. Webdesconfiados muitas vezes saem clicando em qualquer "Aceitar" que aparece pela frente e depois culpam as ferramentas (ou o interlocutor) por quaisquer dificuldades de experimentam - o que nos conduz ao próximo item.

5. Reclamar dos features das redes que frequentam. Cutucar e aplicativos aos borbotões fazem parte do Facebook. Ver quem viu o seu perfil faz parte do Orkut. Estas redes cresceram - não a despeito de, mas - justamente por caisa destes features. Se isto te incomoda, configure. Se não dá para configurar aceite que isso é parte daquela ferramenta, OK? A maior parte das coisas que podem incomodar em uma rede social podem ser facilmente configuradas - basta investir meia hora ou menos do seu tempo no Google pra descobrir como. No caso do Orkut, é muito fácil configurar para que as pessoas não vejam que você visitou o perfil delas - mas o preço disso é que você não vai saber quem visitou o seu perfil. Essa noção de reciprocidade - que é o que geralmente alimenta e dinamiza uma rede social, inclusive as offline - geralmente não é muito bem compreendida pelos webdesconfiados.

Ensinamento do dia: "Melhor que ser webdesconfiado, é ser webconsciente". Bom Domingo!