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domingo, 19 de junho de 2011

Saiba identificar um webdesconfiado

Eu criei o termo "webdesconfiado" para caracterizar um conjunto de comportamentos relacionados ao uso de ferramentas web - redes sociais, chats, etc. - que traduzem uma resistência ou desconfiança à interatividade fornecida por estas ferramentas. Eu coloquei aqui cinco indícios de que um contato online possa ser um webdesconfiado - a presença de dois ou mais deste indícios, pelo menos na minha experiência pessoal, está associada a uma forte suspeita de "webdesconfiadismo". São eles:

1. Usar algo diferente da sua própria foto no perfil pessoal. Em muitas redes, o Linkedin inclusive,  é proibido o uso de qualquer coisa diferente de sua própria foto na configuração de perfil - e, se não acredita em mim, leia o Contrato de Usuário, presente no rodapé de qualquer página do Linkedin. Além de ser muito desagradável falar com uma imagem do Pato Donald ou um logotipo de empresa, perfis pessoais deveriam - como o nome diz - representar pessoas, capiche? Por outro lado, não colocar foto no perfil é algo muito menos grave: significa apenas que a pessoa, em algum momento, decidiu não colocar uma foto no seu perfil, ou não teve tempo/habilidade de fazê-lo, ou não encontrou uma foto no seu arquivo que tenha considerado "boa" o suficiente, etc. - em suma, as razões podem ser várias. Colocar a imagem do Pato Donald no perfil, por outro lado, denota quase sempre uma indecisão entre se mostrar ou não se mostrar na rede, além de retirar - convenhamos - um pouco da seridedade de qualquer relação estabelecida ali. (Num aspecto prático, isto pode significar, por exemplo, que aquela pessoa não percebe a web como algo "sério" - e que será muito difícil para ela iniciar uma relação pessoal/profissional/comercial bem-sucedida por ali)

2. Usar algo (muito) diferente do nome real no perfil. Nos tempos selvagens da Internet (anos 90) as pessoas se identificavam na web por "nicks", que funcionavam como "nomes de rede". Na prática, era como se a pessoa tivesse uma identidade no mundo real e outra no mundo virtual, administradas independentemente. À medida que os mundos real e virtual aumentaram as suas pontes de contato, não faz muito mais sentido administrar duas identidades separadas, e a tendência que se observa hoje é de as pessoas usarem algo bem próximo de seus nomes reais nos seus perfis. IMPORTANTE: Isto não significa - de forma alguma - que você não vai tomar precauções para proteger as suas informações online, mas você deve entender que é tão ou mais fácil te encontrar na web pelo seu endereço de e-mail do que pelo seu nome, para citar apenas um exemplo bem simples.

3. Ficar subitamente offline quando você dá um "Boa Tarde" no chat. Se a pessoa não gosta ou não quer papear pelo chat ela pode: (1) não te aceitar como contato, (2) fechar o chat ao entrar em uma rede, (3) ficar invisível e/ou (3) usar o mágico botãozinho de "Ocupado".  A inabilidade de utilizar o botãozinho de "Ocupado" - se recorrente - é um indício forte de "webdesconfiadismo".

4. Não ter controle de seus contatos online. Por mais contatos que você tenha, você tem que ter algum controle de onde você os conhece - mesmo que este contato tenha sido puramente online. Eu tenho mais de 1600 contatos só no Linkedin e, mesmo sem usar o Organizador de Perfis que o Linkedin oferece na versão paga, consigo manter um registro pelo menos dos mais ativos - na dúvida, basta fazer um rápida busca no Linkedin mesmo e voilá: memória instantânea. Perguntas do tipo "De onde eu conheço você?" ou "O que você quer de mim?" indicam, quase sempre, uma falta de controle neste sentido. Webdesconfiados muitas vezes saem clicando em qualquer "Aceitar" que aparece pela frente e depois culpam as ferramentas (ou o interlocutor) por quaisquer dificuldades de experimentam - o que nos conduz ao próximo item.

5. Reclamar dos features das redes que frequentam. Cutucar e aplicativos aos borbotões fazem parte do Facebook. Ver quem viu o seu perfil faz parte do Orkut. Estas redes cresceram - não a despeito de, mas - justamente por caisa destes features. Se isto te incomoda, configure. Se não dá para configurar aceite que isso é parte daquela ferramenta, OK? A maior parte das coisas que podem incomodar em uma rede social podem ser facilmente configuradas - basta investir meia hora ou menos do seu tempo no Google pra descobrir como. No caso do Orkut, é muito fácil configurar para que as pessoas não vejam que você visitou o perfil delas - mas o preço disso é que você não vai saber quem visitou o seu perfil. Essa noção de reciprocidade - que é o que geralmente alimenta e dinamiza uma rede social, inclusive as offline - geralmente não é muito bem compreendida pelos webdesconfiados.

Ensinamento do dia: "Melhor que ser webdesconfiado, é ser webconsciente". Bom Domingo!

domingo, 17 de abril de 2011

Mini-Review: Medicando | A rede pra quem cuida da saúde

Fui apresentado por uma amiga ao site Medicando, que se intitula: A rede pra quem cuida da saúde. Juro que, nos primeiros 30 segundos, o meu primeiro pensamento foi "Ah, tudo que eu precisava, mais uma rede social de nicho!", mas depois não resisti e fiz o meu perfil. Demorei menos de 10 minutos para preencher as informações básicas - os passos são muito intuitivos e a interface de cadastro é muito ágil (pelo menos eu achei). A chamada do site -  A rede pra quem cuida da saúde - me deu a entender no início que era uma rede/site voltado apenas a profissionais da saúde, mas depois percebi que este também é direcionado a pacientes - pra quem cuida da saúde, sacou?
 
O site se autodescreve da seguinte forma, que coloquei abaixo em azul: 

O Medicando é um portal de saúde que está apoiado sobre três pilares essenciais:

- Buscador de profissionais de saúde

- Rede Social para os profissionais de saúde

- Espaço Pronto 

A proposta do Espaço Pronto é, pelo que entendi, servir como espaço virtual para armazenamento de informações de saúde pelo paciente. Vejam o que o site diz a este repeito e me digam se entenderam a mesma coisa que eu:  

No Portal Medicando o paciente pode armazenar, por meio do Espaço Pronto, todos os seus dados clínicos, como resultado de exames, receituários e medidas antropométricas (peso, altura, Índice de Massa Corpórea - IMC, Medida da Circunferência Cintura/Quadril – CCQ), permitindo a visualização pelo seu profissional de saúde, sempre que necessário.

Esta é uma proposta muito ampla - e que tem uma série de projetos por aí rolando, bancados por gigantes como o Google e outros - e que eu não vou nem comentar, uma vez que é por demais off-topic em relação a este Blog. 

Aqui nos interessam apenas os dois primeiros aspectos dos três listados acima: (1) o de buscador de profissionais de saúde e de (2) rede social para profissionais de saúde. Mais especificamente, a nossa pergunta é: será que estas propostas poderiam ser significativas, em termos de visibilidade profissional, para o profissional de saúde brasileiro? Na minha opinião, tudo vai depender da capacidade de o site alcançar massa crítica de usuários suficiente para servir como referência: (1) entre os próprios profissionais de saúde, (2) para o mercado de saúde como umtodo (incluindo-se aqui os pacientes referidos na proposta do site) - e, talvez, (3) para potenciais recrutadores, quem sabe? Será que o site vai conseguir essa proeza? A resposta é um sólido "Não Sei!" mas, por via das dúvidas, já fiz o meu perfil por lá.