"Eu quero ter um milhão de amigos / E bem mais forte poder cantar"
(Roberto & Erasmo)
"Eu nunca participaria de um clube que me aceitasse como sócio"
(Groucho Marx)
DISCLAIMER: Antes de iniciar este post, quero deixar bem claro que, em primeira e última análise, cada um deverá decidir por si a melhor estratégia de redes sociais aplicável dentro de seu contexto, de seus objetivos profissionais, pessoais, etc. - o que não me impede, é claro, de dar aqui a minha opinião a respeito.
Entreouvi por esses dias no elevador uma animada conversa na qual um dos interlocutores comentava que estava tentando "reduzir" o seu número de amigos no Facebook, mas que, por mais que ela "limasse" pessoas de seu perfil, mais e mais solicitações de amizade continuavam chegando - para seu grande espanto e surpresa. "De onde vêm estas pessoas?" - perguntava (aparentemente com sinceridade). Eu fiquei absolutamente maravilhado com aquele comentário, por ser um claro indicativo do mais profundo desconhecimento do princípio fundamental pelo qual as redes sociais - pelo menos as redes sociais de massa - operam. Para garantir que você, leitor, não perca este princípio fundamental, eu vou colocar em destaque, centralizado e em cor de fonte diferente - e o princípio é este:
Redes sociais de massa
querem expandir
e para conseguirem isto elas
recompensam quem possui mais conexões.
A recompensa, aqui, é dada, principalmente, na moeda de troca corrente do mundo online, que se chama visibilidade. Geralmente, nas principais redes, quanto mais conexões você possui mais visível você é - e, quanto mais visível você for, mais conexões você poderá fazer, ou seja, maior será a sua conectabilidade.
E porquê isso é importante?
Vamos dar um exemplo simples com base na rede profissional Linkedin. Dependendo da sua área de atuação (se for muito restrita, por exemplo) talvez só existam 100 conexões interessantes em todo o Linkedin para você - ou seja, 100 pessoas que valham a pena você se conectar por lá. A questão é: você não vai conseguir se conectar com estas 100 pessoas a menos que você possua uma base de conexões que lhe aproxime destas 100 pessoas.
No Linkedin, especialmente, isto é muito fácil de entender, porquê as conexões são divididas muito claramente em: (1) conexões de primeiro grau, (2) conexões de segundo grau e (3) conexões de terceiro grau.
Conexões de primeiro grau são pessoas que aceitaram o seu convite de conexão - ou você aceitou o delas - e são identificadas por uma bolinha azul com "1º" escrito dentro. Você pode enviar mensagens diretas para estas pessoas e "ver" a movimentação delas pelo Linkedin no seu feed.
Conexões de segundo grau são conexões de primeiro grau das suas conexões de primeiro grau (se fosse no Facebook, por exemplo, seriam os Amigos dos Amigos). Conexões de segundo grau são identificadas no Linkedin por uma bolinha azul com "2º" escrito dentro.
Conexões de terceiro grau são conexões de segundo grau de suas conexões de primeiro grau (esticando um pouco a nossa analogia com o Facebook, seriam os Amigos dos Amigos dos Amigos). Conexões de terceiro grau são identificadas no Linkedin por uma bolinha azul com "3º" escrito dentro.
No Linkedin, a sua rede é formada pelas suas Conexões de primeiro grau + Conexões de segundo grau + Conexões de terceiro grau + Os membros dos grupos que você faz parte. Resumindo, a sua rede no Linkedin é tudo que está "pra cá" da linha vermelha na figura abaixo - na direção apontada pela seta azul. As bolinhas pretas vistas além da linha vermelha representam as pessoas fora da sua rede.
No Linkedin, você só pode contactar as suas conexões de segundo e terceiro grau por InMail (limitados/pagos) ou Apresentações. As pessoas fora da sua rede só podem ser contactadas por InMail. O princípio fundamental aqui é que, quanto mais longe de você estiver a pessoa, mais difícil deverá ser contactá-la (e também visualizá-la).
Voltemos ao nosso exemplo lá de cima: imagine que existam 100 conexões significativas para você no Linkedin - pessoas de destaque na sua área de atuação, por exemplo, ou pessoas que poderiam lhe indicar para um emprego, contrato, consultoria, etc. Você só vai conseguir se conectar com estas pessoas se você tiver uma base de conexões que te aproxime destas 100 pessoas - ou isto ou você gastará uma pequena fortuna em InMails, que é uma das formas como o Linkedin gera receita. Isto cria um paradoxo, que poderia ser enunciado desta forma: "a qualidade das suas conexões é, no fundo, o que conta, mas ela não pode ser obtida sem uma base de conexões que te permita chegar a conexões de qualidade - isto é, que sejam representativas para você". Existe um antigo ditado no Linkedin que resume bem este paradoxo e que é o seguinte:
"Quantidade é qualidade"
Evidentemente, este ditado não faz nenhum sentido sem alguma explicação prévia (senão alguém poderia erradamente concluir que sair adicionando pessoas indisciminadamente traduz algum resultado), mas é uma boa maneira de sintetizar a forma como trabalham as redes sociais de massa.
E nas outras redes?
Bom, falamos muito de Linkedin, Linkedin, Linkedin - e alguém poderia perguntar aqui como isso se aplica às outras redes sociais. Isso é muito simples: eu escolhi o Linkedin como exemplo porquê nele você vê muito claramente os graus de conexão entre as pessoas pelas bolinhas azuis que aparecem ao lado dos integrantes de sua rede, e que indicam o seu grau de aproximação/separação destas. Nas outras redes, em geral, é a mesma coisa, só que sem as bolinhas azuis.
É claro que cada rede social possui a sua própria particularidade, mas o simples fato de ser uma rede - prestem bem atenção nessa palavra, rede - significa que - salvo um desvio muito grande - ela é estruturada de uma forma bem parecida com o que descrevemos aqui. Pense comigo: todo mundo que eventualmente criou uma rede social neste mundo muito provavelmente quer que ela se expanda, correto? E a melhor maneira de fazer isso é recompensando comportamentos que façam a rede aumentar (ver Linkedin, ver Facebook, etc.) - e, na contra-partida, punindo comportamentos que prejudiquem a expansão da sua rede. Isto já diz tudo (ou, pelo menos, uma boa parte).
Voltando à pergunta-título deste post - e essa é a minha opinião - será sempre um direito nosso limitar o número de conexões em redes sociais (eu mesmo também não adiciono todo mundo), mas devemos ter a consciência de que a estruturação em rede, por si só, em geral, propicia a expansão da rede em si - justamente porquê ela foi projetada desta forma.
Por fim, convém lembrar que - ao contrário do que alguns acreditam - as redes sociais não estiveram "sempre por aí", mas foram projetadas por pessoas com objetivos específicos. Entender alguma coisa da maneira como estas ferramentas foram construídas pode de fato nos ajudar a interagir melhor com elas e a tirar maior proveito de todos os recursos que elas nos oferecem.

Noé, obrigada por mais este esclarecimento, informação é tudo.
ResponderExcluirAbraço,
Cristina
Noé
ResponderExcluirAcho que a máxima quantidade é qualidade não é verdadeira, pois você deve realmente limitar as suas conexões a pessoas do seu interesse, porém, em redes como o linkedin, quase todas as pessoas que estão lá podem ser de seu interesse, pois é uma rede profissional. Nesta linha, eu adiciono quase todas as pessoas que me pedem conexão e peço para quase todas que eu encontro na rede. Acho que o linkedin substitui a nossa falta de tempo de ir a congressos, feiras, palestras e seminários, onde normalmente encontramos pessoas do nosso interesse profissional e neste ponto, discordo dos especialistas que dizem que vc deve adicionar só quem vc conhece, pois perde a chance de conhecer novas pessoas.
Do outro lado, no facebook, só adiciono pessoas que eu conheço ou que tenham algo em comum com o meu lazer. Por isto,meu perfil no facebook é light, onde falo de futebol, amenidades e jogos on line.
Apesar dos especialistas me contrariarem, tenho sim duas redes distintas e posto em cada uma delas coisas distintas. Não faz sentido eu publicar uma gozação aos meus adversários no futebol pelo tri campeonato do meu time no linkedin, mas faz todo o sentido no facebook.
Abs.
Prezado, Olá!
ResponderExcluirObrigado pelo comentário!
Esse é um tema muito interessante e dá margem a uma série de questões. Eu devo estar brevemente escrevendo um post (ou mais de um)a este respeito mas já posso adiantar que, como toda a certeza, a boa estratégia é sempre aquela que funciona dentro do contexto de cada um.
Forte Abraço!
- Noé